Mensagem para o Grupo Pedras Vivas (Culte de Noël Franco-Brésilien 2013)

Mensagem para o Grupo Pedras Vivas(Culte de Noël Franco-Brésilien 2013)

Por Gérard Siogli                                                  Tradução: Suely Maia Pereira da Silva

 

                                       Quem é realmente Jesus?

                       Mateus 16:13-18; Marcos 8:27-30; Lucas 9:18-20

 

                        “Tendo vindo Jesus Cristo para a região de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?

                         Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou algum dos profetas.” (Mateus 16:13-14)

João Batista foi o precursor imediato de Jesus, enviado para “preparar” o caminho. Sua missão era a de revelar o Messias, repreendendo com um intenso fervor as multidões que acorriam de todas as partes, insistindo com elas que não demorassem a se arrepender, pois o Reino de Deus estava próximo, proclamando que Jesus era o “Cristo”.

Elias foi um dos maiores profetas que realizou milagres, através de prodígios que suscitavam o espanto, dirigindo os olhares para mais longe, apresentando assim o poder imediato de Deus.

Jeremias foi chamado em uma visão a exercer um ministério “profético”. Os profetas eram homens “inspirados”, capazes de dizer com autoridade a totalidade do que lhes era pedido para expor. A Palavra do Senhor foi transmitida aos profetas de diversas maneiras, sancionada por “sinais”; pelo cumprimento das profecias, como também pela conformidade do ensino da “Lei”.

Todos contribuíram como “Servos” de Deus, submissos, em “comunhão” com o Senhor através de oração constante. Aptos a receberem as instruções divinas, isolando-se periodicamente para melhor perceberem as diretrizes “do alto”. Eles ensinavam ao povo o “bom e reto caminho”, dando conta das “ordens” do Deus Eterno, revestidos da autoridade de Deus para comunicar aos homens sua vontade, instruindo-os e dando-lhes as explicações necessárias.

Isto explica a confusão dos ouvintes de Jesus pelas declarações que lhe foram relatadas a seu respeito.

“Jesus lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou?” (Mateus 16:15)                                                                                                                

“Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mateus 16:16)

“Jesus lhe disse: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 16:17)             

Os olhos de Pedro, com efeito, tinham sido abertos para ver em Jesus, o “Cristo”, na posição oficial de “ungido de Deus”. Pois, o apóstolo discerniu que Jesus era “o Filho do Deus Vivo”. Esta é uma confissão surpreendente, já que Deus está infinitamente além do poder de morte. Jesus era o Filho na deidade eterna, e por isso posto acima do poder de cessação definitiva da vida. Pedro só podia fazer esta profissão de fé por meio de uma revelação divina que ele mesmo ainda não havia alcançado em toda a sua dimensão. No entanto, ele “viu” que era assim e por isso testemunhou.

E nós o confessamos também? Compreendemos realmente o sentido desta visão? Assim como Pedro encontramos uma rocha inabalável para sermos “bem-aventurados”?

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Por ocasião do primeiro encontro relatado pelo apóstolo João (1:43), Jesus tinha dado a Simão o nome de “Pedro”, destinado e religar o discípulo à Assembleia que ele iria construir, fundando-a na “Rocha”. Pedro não era um símbolo de solidez. Facilmente abalado, repreensí-vel como assinala a epístola de Paulo aos Gálatas (2:11 à 13), provavelmente o mais impulsivo dos discípulos, era apenas uma “pedra” que não podia ser confundida com o “bloco” que ele iria se tornar. Jesus é muito preciso na distinção que ele assinala com os dois termos diferentes que ele utiliza “Petros” e “Petra”.

A “rocha’ não podia ser reconhecida antes do Filho do Deus “vivo” ter provado seu triunfo sobre a morte pela ressurreição e ser elevado na Glória. E na sua primeira carta, o apóstolo Pedro reconhece que esta transformação não está reservada exclusivamente para ele, pois todos os que vêm à “Pedra” viva tornam-se também “pedras” ativas que se somam a esta fundação. Quem professa obediência ao Rei, entra no Reino dos céus, mas um lugar adminis-trativo especial foi confiado ao apóstolo Pedro em relação a isso.

A rejeição do Cristo e sua morte iminente eram certas. Jesus volta os olhares dos discípulos para a sua morte e ressurreição, o ponto culminante de sua história na terra. Pedro manifes-tou sua fragilidade e merecia a repreensão. Seus pensamentos e os dos outros discípulos repousarão doravante nas bênçãos que deveriam se realizar na terra. Como o Senhor sabia, ele intenta lhes explicar como tudo seria mudado pela sua morte.

André era o irmão de Simão e foi o primeiro a dizer a ele: “Encontramos o Messias.” O momento era chegado de ressaltar a relação de André com Simão, pois esta ligação exercerá uma influência decisiva sobre Simão e sobre a obra que começava. Até aqui Simão não figurou no relato e seu sobrenome de Pedro nem lhe pertence neste momento! Mas, o futuro apóstolo é tratado assim à primeira vista como o personagem mais importante desta história. O  termo “Messias” era muito popular e até usado em Samaria, já  que a mulher que vem tirar água o emprega, precisando que ela “sabia” que o Messias deveria vir.

Vários relatos do Antigo Testamento enfatizam uma mudança de nome, o que caracteriza geralmente uma mudança de vida ou de posição, como aconteceu com Abraão e Jacó. O nome que Jesus dá a Simão o distingue como um ser bastante corajoso, decidido, para se tornar o ponto de apoio principal da nova sociedade que ele vai fundar. Sem dúvida havia na silhueta deste jovem pescador, habituado a tratar com os perigos da sua profissão, a expressão de uma vigorosa energia e de um poder de iniciativa. Marcando-o com um novo nome, Jesus o toma e o consagra, com todas as suas qualidades naturais, à obra que ele lhe confia. 

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Para os crentes, judeus e cristãos, o Messias é o Ungido, isto é, aquele que recebeu pelo Espírito de Deus repousando sobre ele, o poder de libertar seu povo e de estabelecer seu Reino. Jesus era o nome pessoal de nosso senhor, e Cristo era seu título. O Messias tinha que ser a encarnação de Deus, unindo em sua pessoa o divino e o humano.

Pela sua humanidade, Cristo se situa sobre o plano histórico, e num lugar especial. Sua vida se desenvolve naturalmente, sem parar, até um objetivo preciso. Esta existência autenticamente humana, pertence à história; mas Jesus declara claramente que ele é mais que um homem.

“Seu pai entregou todas as coisas em suas mãos.” (João 3:35)

“Tudo que o Pai faz, o Filho faz igualmente.” (João 5:19)

“Eu e o Pai somos um, afirmou ele.” (João 10:30)

“Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.” (João 17:5)

Jesus se revelou pouco a pouco a seus discípulos, que foram surpreendidos com sua dignidade soberana. Depois, na iluminação do Espírito, a reflexão e a experiência lhes revela sempre mais sua divindade.

João, aquele dos apóstolos que viveu mais que os demais, narrou a carreira terrestre de seu Senhor e o apresentou como a encarnação daquele que é a Palavra de Deus.

“Mas, todas estas coisas foram escritas, a fim de que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e para que crendo tenha-mos a vida em seu nome.” (João 20:31)